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A FILOSOFIA DOS PERSONAGENS NAS OBRAS DE NIETZSCHE, GUIMARÃES ROSA E CLARICE LISPECTOR


A relação entre filosofia e literatura parece ser uma questão interminável. Não podemos mais entendê-la tomando, de um lado, a filosofia como o campo da verdade e do real, e, do outro, a literatura como o campo da ficção e, por conseguinte, da mentira. Vários filósofos já problematizaram essa distinção, mas a obra Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, parece nos abrir um novo rumo na filosofia: tentar compreender sistemas filosóficos através das falas de personagens que, aparentemente, estariam restritos à ficção.

Nesse sentido, tomando o pensamento de Zaratustra como exemplo, esse curso pretende apresentar dois outros filósofos não conceituais: Riobaldo, criado por Guimarães Rosa e aqui pensado como o autor de Grande Sertão: Veredas, e Lóri, criada por Clarice Lispector em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, analisada como a possível autora de Água viva.



Finitude, entre a perda e o desejo


Em um belo dia de verão, Freud conversava com um poeta entristecido que justificava sua dor pela constatação de que a vida é fugaz, fadada ao término. Frente à finitude – alegava ele –, a beleza do que é vivo diminui e a vida perde o sentido, já que toda criação caminha para a extinção.

Freud respondeu ao poeta afirmando justamente o contrário, que era a própria transitoriedade que emprestava à vida seu renovado encanto. O modo como a usufruímos e dela obtemos algum prazer provém do fato de que os objetos – e a própria vida – são passageiros.

Somos personagens de uma série cujo final já conhecemos. Mas, se por um lado sabemos que vamos morrer, por outro negamos tal fato com veemência. Por quê? E como isso se dá?

Esse curso propõe um passeio por esse jardim fecundo de onde Freud e Lacan extraíram a essência de suas teorias sobre o sujeito. Trata-se de um percurso finito, mas suficiente para iluminar algumas das mais importantes noções da psicanálise: a perda e o desejo. Um trajeto imprescindível para quem se anima a entrar em contato com o que há de mais decisivo no confronto com a arbitrariedade da perda. Fragmentos literários da obra de Clarice Lispector nos ajudarão a regar algumas dessas flores.

*Este curso será realizado na sala de conferências do Marina All Suites Hotel.



CLARICE LISPECTOR E EU. O MUNDO NÃO É CHATO


Um mergulho no processo criativo de uma peça, do ensaio ao momento da apresentação no teatro. Essa é a proposta desses dois encontros: em um primeiro momento, observar (e, por que não, também opinar sobre) o ofício do ator e sua interação com o diretor, em um ensaio aberto ao público na reta final de uma estreia. Depois, assistir, no teatro, à peça ganhando vida, com todos seus elementos cênicos. A atriz Rita Elmôr e o diretor Rubens Camelo ensaiam, aqui na CASA DO SABER RIO O GLOBO, a peça "Clarice Lispector e eu. O mundo não é chato". Depois, a turma é convidada especial na semana da estreia, no Teatro Poeirinha.

"Clarice Lispector e eu. O mundo não é chato" é uma peça com textos de Clarice Lispector adaptados por Rita Elmôr. A atriz estreou sua carreira com uma peça sobre a escritora em 1998. De lá para cá, as fotos dessa encenação foram confundidas com as fotografias da própria Clarice. A peça é uma metáfora do que aconteceu com a imagem das duas: Clarice e Rita são constantemente confundidas nas redes sociais e em veículos de comunicação.

No espetáculo, as duas se misturam contando as suas histórias - muitas vezes a história de uma serve à história da outra. A timidez, solidão e o “desencaixe” da nossa anti-heroína fazem parte do tema central da peça, que alinhava 36 recortes da obra de Clarice a textos de Rita. Todos eles afirmam a vida e nos ajudam a pensar em maneiras mais inteligentes, criativas e harmônicas de se viver. O olhar político de Clarice, que está muito afinado com acontecimentos sociais contemporâneos, também aparece com muita força.

TEXTO: CLARICE LISPECTOR
ADAPTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO: RITA ELMÔR
DIREÇÃO: RUBENS CAMELO
CENÁRIO E LUZ: PAULO DENIZOT
FIGURINO: MEL AKERMAN
TRILHA SONORA: RITA ELMÔR
DESIGN GRÁFICO: VICTOR CORRÊA
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: RADHA BARCELOS
ASSESSORIA JURÍDICA: MURILO RABAT
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: CHRISTIANO NASCIMENTO E RITA ELMÔR
PRODUÇÃO: ART HUNTER PRODUÇÕES
REALIZAÇÃO: OVO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS



CECÍLIA, CLARICE E ADÉLIA


Leitura e teoria. Contextualização e interpretação. As obras de três grandes nomes da literatura brasileira lidas e dramatizadas por grandes atrizes. Nesta série inédita na CASA DO SABER RIO O GLOBO, a cada encontro, a atriz Clarice Niskier e uma atriz convidada interpretam fragmentos e poemas de Cecília Meireles, Clarice Lispector e Adélia Prado. Complementando as leituras, um professor contextualiza a vida e a obra de cada uma das escritoras.



Depressão ou tristeza? Sobre a "dor de existir"


Sob que formas um sujeito manifesta a sua dor? Como diferenciar, à luz da psicanálise, tristeza, depressão e dor? Há diversas maneiras de lidar com a dor, cada vez mais escamoteadas. A dor se refere sempre a uma perda fundamental, e é, por vezes, tão inevitável quanto necessária (quando se trata da “dor de existir”). Em seu ensaio “Luto e melancolia”, Freud distingue uma perda vivida como luto de outra, que permanece sem elaboração, denominada melancolia. A tristeza vivenciada pela ausência de um objeto difere da prostração e da apatia advindas de uma posição na qual nada é capaz de afetar o sujeito, um “esvaziamento do eu”, um furo cavado por onde a vida escoa. Essas noções serão abordadas à luz de alguns trechos da obra de Clarice Lispector, que, como ninguém, soube expressar a dor de existir.