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Depressão ou tristeza? Sobre a "dor de existir"


Sob que formas um sujeito manifesta a sua dor? Como diferenciar, à luz da psicanálise, tristeza, depressão e dor? Há diversas maneiras de lidar com a dor, cada vez mais escamoteadas. A dor se refere sempre a uma perda fundamental, e é, por vezes, tão inevitável quanto necessária (quando se trata da “dor de existir”). Em seu ensaio “Luto e melancolia”, Freud distingue uma perda vivida como luto de outra, que permanece sem elaboração, denominada melancolia. A tristeza vivenciada pela ausência de um objeto difere da prostração e da apatia advindas de uma posição na qual nada é capaz de afetar o sujeito, um “esvaziamento do eu”, um furo cavado por onde a vida escoa. Essas noções serão abordadas à luz de alguns trechos da obra de Clarice Lispector, que, como ninguém, soube expressar a dor de existir.



Cecília, Clarice e Adélia


Leitura e teoria. Contextualização e interpretação. As obras de três grandes nomes da literatura brasileira lidas e dramatizadas por grandes atrizes. Nesta série inédita na CASA DO SABER RIO O GLOBO, a cada encontro, a atriz Clarice Niskier e uma atriz convidada interpretam fragmentos e poemas de Cecília Meireles, Clarice Lispector e Adélia Prado. Complementando as leituras, um professor contextualiza a vida e a obra de cada uma das escritoras.



"Clarice Lispector e eu. O mundo não é chato"


Um mergulho no processo criativo de uma peça, do ensaio ao momento da apresentação no teatro. Essa é a proposta desses dois encontros: em um primeiro momento, observar (e, por que não, também opinar sobre) o ofício do ator e sua interação com o diretor, em um ensaio aberto ao público na reta final de uma estreia. Depois, assistir, no teatro, à peça ganhando vida, com todos seus elementos cênicos. A atriz Rita Elmôr e o diretor Rubens Camelo ensaiam, aqui na CASA DO SABER RIO O GLOBO, a peça "Clarice Lispector e eu. O mundo não é chato". Depois, a turma é convidada especial na semana da estreia, no Teatro Poeirinha.

"Clarice Lispector e eu. O mundo não é chato" é uma peça com textos de Clarice Lispector adaptados por Rita Elmôr. A atriz estreou sua carreira com uma peça sobre a escritora em 1998. De lá para cá, as fotos dessa encenação foram confundidas com as fotografias da própria Clarice. A peça é uma metáfora do que aconteceu com a imagem das duas: Clarice e Rita são constantemente confundidas nas redes sociais e em veículos de comunicação.

No espetáculo, as duas se misturam contando as suas histórias - muitas vezes a história de uma serve à história da outra. A timidez, solidão e o “desencaixe” da nossa anti-heroína fazem parte do tema central da peça, que alinhava 36 recortes da obra de Clarice a textos de Rita. Todos eles afirmam a vida e nos ajudam a pensar em maneiras mais inteligentes, criativas e harmônicas de se viver. O olhar político de Clarice, que está muito afinado com acontecimentos sociais contemporâneos, também aparece com muita força.

TEXTO: CLARICE LISPECTOR
ADAPTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO: RITA ELMÔR
DIREÇÃO: RUBENS CAMELO
CENÁRIO E LUZ: PAULO DENIZOT
FIGURINO: MEL AKERMAN
TRILHA SONORA: RITA ELMÔR
DESIGN GRÁFICO: VICTOR CORRÊA
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: RADHA BARCELOS
ASSESSORIA JURÍDICA: MURILO RABAT
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: CHRISTIANO NASCIMENTO E RITA ELMÔR
PRODUÇÃO: ART HUNTER PRODUÇÕES
REALIZAÇÃO: OVO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS