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Michelangelo e Da Vinci pelo olhar de Freud


A psicanálise se aproveitou da arte para discutir algumas questões. Freud dedicou seu interesse a duas obras máximas do Renascimento italiano: A virgem e o menino com Santa Ana (1513), de Leonardo da Vinci; e Moisés (1515), de Michelangelo. Para uma compreensão ampla dessas leituras freudianas, será desenvolvido em sala um estudo prévio em torno das noções de sexualidade, pulsão, inconsciente e recalque. O objetivo é descobrir o que Freud viu em Da Vinci e Michelangelo.



Aristóteles e Freud interpretam seriados americanos II


Em bem-sucedido curso realizado em janeiro deste ano, o professor Felipe Pena analisou seriados como Friends, Mad Men, House, Modern Family e Breaking Bad, desenvolvendo a ideia de que eles carregam estratégias narrativas articuladas há mais de dois mil anos. O novo curso toma como objeto de análise os seriados Homeland, The Walking Dead, The Newsroom e Lost para mostrar como eles se apropriam da metodologia proposta por Aristóteles na obra A arte poética. Ao mesmo tempo, utiliza conceitos freudianos com a finalidade de examinar a densidade dos personagens e propor algumas hipóteses para a empatia do público com seus dramas e suas situações cômicas.



O narcisismo na modernidade


Freud conceitua o narcisismo como a construção, feita pelo sujeito, de uma imagem de si perfeita, inteira, unificada. Embora possa se tornar patológico, esse é um estado comum e necessário para todo funcionamento psíquico. Mas, ao contrário do que se supõe, Freud não recorre ao mito de Narciso para ilustrar a paixão do sujeito por si mesmo, e sim para ressaltar que, por trás daquela adorada imagem que ele supõe ser do outro, o que se reflete é, na verdade, o próprio sujeito. Freud afirma que “todo encontro com o objeto é sempre um reencontro”. Por razões estruturais, estamos situados entre algo que perdemos e aquilo que desejamos arduamente reencontrar. Buscamos o que nos falta, numa tentativa de poder reeditar aquilo que foi, um dia, supostamente inteiro. Esse é o próprio movimento da vida – ou, em termos freudianos, o caminho percorrido pela libido (energia sexual). Nesse curso, será discutido por que o narcisismo se encontra cada vez mais impregnado em nossa cultura, com seus efeitos nos dias de hoje, evidentes tanto na forma como nos relacionamos quanto nas diversas mídias que nos cercam.



Seis obras fundamentais de Freud


Curso iniciado em 1° de novembro.

Freud, como outros grandes pensadores, estabeleceu uma nova chave de leitura para um campo amplo de temas. Ao dar relevo às motivações inconscientes atuantes na vida psíquica, impôs a terceira grande afronta ao amor próprio dos homens, ombreando-se a Copérnico e Darwin. Ao afirmar que “o Eu não é senhor em sua própria casa”, provoca o reposicionamento de cada um em relação ao mundo e à própria vida.



O sentimento de vazio na modernidade


As ciências sociais têm, entre suas temáticas favoritas, a assim chamada “modernidade”. Muitas são as teses sobre esse momento da história, mas, apesar de sua diversidade teórica, elas guardam um traço comum: são explanações sombrias que falam de um “vazio” que atormentaria o indivíduo moderno. Diversos autores produziram “teorias da modernidade”, conferindo lugar central ao problema da experiência subjetiva do indivíduo. Por que o sujeito moderno padece tanto de solidão? Por que experimenta, tantas vezes, a vida como “absurda”? Como concilia a valorização da liberdade com a sensação de isolamento? Quais os efeitos de seu “narcisismo” sobre as várias áreas da existência – as relações afetivas, a participação na vida pública, o mundo do trabalho? Essas são as questões que abordaremos no curso por meio da obra de alguns dos principais autores que se debruçaram sobre o assunto: Georg Simmel, Sigmund Freud, Norbert Elias, Richard Sennett e Zygmunt Bauman, entre outros.



O mal-estar na arte contemporânea


Em O mal-estar na cultura (1930), Freud pensa o conflito entre as necessidades pulsionais de cada indivíduo e as quase inconciliáveis exigências que a civilização lhe impõe. A arte – tanto a sua fruição quanto a criação artística propriamente – é referida no texto freudiano como uma “suave narcose”; como algo que de algum modo interrompe os rigores necessariamente presentes na tarefa de constituição do Eu, ou lhes dá um destino diferente. Alguns dos resultados dessa empreitada, que é o envolvimento com a arte, estão nos museus – ao mesmo tempo depositários da arte produzida, matrizes de novas criações e produtores de efeitos sobre aqueles que são atravessados por sua força e encanto.



Sexualidade e política


A problemática da sexualidade foi negligenciada ou tomada como uma questão “menos importante” na leitura tradicional da história da filosofia ocidental. O primeiro filósofo a compreender a sexualidade como uma questão de grande relevância foi Schopenhauer, que antecipou e influenciou enormemente as reflexões de Freud. Somente no século XX se pensou de modo mais significativo a articulação entre sexualidade e política. O presente curso pretende investigar três importantes momentos dessa reflexão, considerando as contribuições de Herbert Marcuse e Michel Foucault e analisando as tendências contemporâneas, com destaque para a teoria queer.



Angústia: o mal do século?


Em tempos de síndrome do pânico, transtornos de ansiedade e medicalização excessiva, qual o lugar dado para a angústia em nossa cultura? Associada ao desprazer, a angústia foi conceituada por Freud como a iminência de um perigo. Diferindo do medo (que remete a um objeto bem definido) e do pavor (indicativo do despreparo frente a um acontecimento inesperado), a angústia é um estado de expectativa diante de uma ameaça não identificada. Nas palavras de Freud, “o homem se defende contra o pavor pela angústia”. Na psicanálise ela é considerada um excesso de energia, resto da operação de corte vivida, inevitavelmente, pela imposição de um limite. É o eco de um traumatismo do qual, em geral, não queremos saber, mas que insiste em se manifestar.



Freud, uma história de suas "rupturas"


Esse curso pretende refletir sobre aspectos relevantes da teoria freudiana apresentados após o rompimento de Freud com alguns de seus discípulos mais importantes. Serão discutidos capítulos marcantes da história da psicanálise, oportunidades privilegiadas para que seja estudada a nova direção que Freud deu ao desenvolvimento de suas ideias a partir dessas rupturas. Investigaremos também a inflexão na vida e na obra desses psicanalistas provocada pelo descolamento em relação às teorias do mestre, forçando cada um deles à recriação teórica e técnica da psicanálise.



A normalidade criativa de Winnicott


A partir de algumas passagens da obra de Freud, e sobretudo da concepção de estruturas psíquicas preestabelecidas segundo Lacan, a história da psicanálise acostumou-se a conceber a normalidade como neurótica, ideia que se tornou familiar até mesmo para o senso comum, como um dado cultural tornado incontestável. Afinal, nos ensinou Freud em seus textos, se não aceitarmos ou não conseguirmos nos submeter ao controle neurótico, só nos restará enveredarmos pelas perigosas sendas da psicose e do descontrole, movidos pelas pulsões rumo à decadência. Na contra-corrente dessa ideia, Winnicott ousou observar que “há uma gradação da normalidade não somente no sentido da neurose mas também da psicose”. E mais: que “há um elo mais íntimo entre normalidade e psicose do que entre normalidade e neurose”, trazendo para a psicanálise uma concepção de liberdade nunca antes imaginada. Nesse curso nos propomos a analisar o estatuto da normalidade proposto por Winnicott – como sendo o de uma normalidade criativa em radical oposição à neurose – em seus aspectos metapsicológicos, clínicos e existenciais, e também em suas implicações sociais e políticas.



Rússia X Ucrânia: o conflito na literatura


A literatura sempre ajudou a entender o mundo e os pensadores mais importantes de outras áreas jamais deixaram de recorrer a ela. Enquanto Freud, o pai da psicanálise, fundamentou algumas de suas principais teorias em construções literárias gregas, Marx disse que aprendeu muito mais sobre a Inglaterra e a França com Dickens e Balzac do que com os economistas ingleses e franceses da mesma época. O mesmo poderia ser dito de alguns grandes historiadores e cineastas. Nesse curso, através da literatura de Gógol, Dostoiévski, Tchekhov, Tolstói e Bulgakov, o professor Marcelo Backes procurará desvendar a alma russa e ucraniana e os conflitos entre eles, trabalhando com algumas de suas mais conhecidas e importantes obras. Para fazer essa viagem, o cientista político Mauricio Santoro dará uma introdução sobre as relações entre os dois países, apresentando o conflito pelo ponto de vista histórico e político.



Surrealismos


"Esta incurável mania de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, entorpece os cérebros", escreveu André Breton em seu primeiro Manifesto Surrealista no ano de 1924. Influenciados pela teoria psicanalítica de Freud, poetas, artistas e cineastas abraçaram o movimento cujo processo de criação está fundamentado na esfera do inconsciente, do onírico. Concebido em uma Europa fragilizada e arrasada após a Primeira Guerra Mundial, o Surrealismo contesta as crenças culturais e a postura do homem, vulnerável diante de uma realidade cada vez mais incompreensível e desestabilizada. Aproveitando a mostra com 150 trabalhos de Salvador Dalí no CCBB, reunimos na CASA DO SABER RIO O GLOBO três professores para analisar as obras dos principais autores (e atores) do movimento surrealista nas artes visuais, no cinema e na literatura.



Psicopatologia da vida cotidiana II


Muito mais do que nos damos conta, somos instados, diariamente, a tomar decisões. Desde o que vamos comer ou vestir até a carreira a seguir e a nos casarmos ou não... Pequenos e grandes impasses que obedecem a lógicas predeterminadas cada vez mais conhecidas e, quase sempre, inconscientes. Como e por que fazemos nossas escolhas? A neurociência e os mecanismos do impasse. A compulsão à repetição freudiana. Esses e outros temas serão abordados nesse curso (que, de forma independente, dá continuidade ao do semestre anterior), cujo foco são os “transtornos da vontade”.



Desafios da psicanálise na atualidade


Mais de um século após o surgimento da psicanálise, é possível perceber transformações cruciais na subjetividade humana, em comparação com o contexto em que essa nova forma de perceber a mente nasceu. Disciplina criada por Freud para responder a um dos grandes enigmas de sua época, a histeria, a psicanálise lançou luz sobre um tipo de sujeito oriundo da cultura individualista moderna: o sujeito neurótico. Sujeito dividido, fruto do conflito psíquico, que permitiu um modo inédito de conceber a sexualidade e o desejo. Nesse curso, serão analisados alguns problemas, caso se apliquem indiscriminadamente, hoje em dia, conceitos elaborados por Freud a partir de seus pacientes neuróticos; e o impacto que certas mudanças no contexto humano contemporâneo produzem na experiência do sofrimento, na noção de conflito, na dimensão da sexualidade, na formação do eu.



Para entender Jung


Ex-discípulo e colaborador de Sigmund Freud, o psicanalista suíço Carl Gustav Jung ficou conhecido por uma obra singular e original que buscou expandir o campo de atuação da psicanálise. Suas ideias sobre os arquétipos e o inconsciente coletivo têm sido a base de numerosos estudos, não só na área das psicoterapias como também nas da sociologia e da mitologia, como nos mostram os estudos de Michel Maffesoli e Joseph Campbell, entre outros autores. A sincronicidade, por meio da qual Jung explica o porquê de técnicas oraculares, como astrologia, tarô, I-Ching, têm despertado igualmente grande interesse. A importância da espiritualidade para o homem atual é outra ideia-chave de sua teoria, que busca nos mostrar o processo de individuação de cada um de nós, seres únicos. Pois, conforme diz, “só o que nós somos verdadeiramente tem o poder de nos curar”. Esse curso pretende fazer uma introdução aos principais conceitos de C.G. Jung, com exemplos da clínica e da literatura, trazendo suas concepções para o momento atual e esclarecendo o uso equivocado de suas teorias.



A memória na psicanálise


A memória pode ser comumente definida como a capacidade de reter e evocar informações adquiridas em uma experiência anterior. Para a psicanálise, contudo, trata-se de um conceito crucial. Mais do que uma capacidade, ela é considerada a própria estrutura do inconsciente. Nesse curso, abordaremos três momentos da teoria freudiana da memória que podem ser nomeados como memória do passado ou tempo que passou, memória do presente ou tempo que passa e memória do presente eterno ou tempo que não passa, cada um deles dando ensejo a uma clínica analítica particular.



Depressão ou tristeza? Sobre a "dor de existir"


Sob que formas um sujeito manifesta a sua dor? Como diferenciar, à luz da psicanálise, tristeza, depressão e dor? Há diversas maneiras de lidar com a dor, cada vez mais escamoteadas. A dor se refere sempre a uma perda fundamental, e é, por vezes, tão inevitável quanto necessária (quando se trata da “dor de existir”). Em seu ensaio “Luto e melancolia”, Freud distingue uma perda vivida como luto de outra, que permanece sem elaboração, denominada melancolia. A tristeza vivenciada pela ausência de um objeto difere da prostração e da apatia advindas de uma posição na qual nada é capaz de afetar o sujeito, um “esvaziamento do eu”, um furo cavado por onde a vida escoa. Essas noções serão abordadas à luz de alguns trechos da obra de Clarice Lispector, que, como ninguém, soube expressar a dor de existir.



Uma introdução a Lacan


A partir da década de 50, por meio de uma verdadeira análise da psicanálise, Jacques Lacan empreendeu um movimento que ele denominou como “retorno a Freud”. Lacan convocou os psicanalistas a aprofundar o estudo sistemático da obra do fundador da psicanálise. Este movimento produziu os mais ricos frutos, pois fez não só com que pudessem ser evidenciados aspectos da obra que não haviam sido percebidos até então, como permitiu que novos avanços fossem produzidos pelos psicanalistas em sua teoria e em sua prática. Hoje, Lacan é onipresente nos trabalhos psicanalíticos e, se seu nome está associado ao de Freud de forma indelével, é porque ele refundou a psicanálise em suas bases e retomou a radicalidade e o gume cortante de sua verdade.



Literatura e psicanálise


Neste encontro, o escritor Evandro Affonso Ferreira e a psicanalista Najla Assy falam sobre as profundas relações entre a Literatura e a Psicanálise: sem o Édipo da peça de Sófocles, Freud provavelmente estaria até agora procurando um filho culpado para seus conceitos. O escritor apresenta histórias sobre Kafka, Guimarães Rosa, Freud, Hilda Hilst, Borges, Montaigne, Heródoto, Manuel Bandeira, entre tantos outros, enquanto a psicanalista analisa, comenta, sobre todos os temas contidos nessas narrativas: o amor, o ciúme, a vaidade, o trágico, o sublime, as angústias metafísicas, o ódio, a morte, os desvãos da alma, a velhice, a generosidade, a fama, enfim, o que move o homem desde tempos imemoriais.



Grandes mulheres trágicas na literatura


“O que quer a mulher?”, perguntou Freud depois de especular durante anos sobre a alma feminina. Também na literatura não foram poucos os que se debruçaram sobre o tema. O presente módulo apresenta algumas das faces mais interessantes que a mulher já assumiu ao longo dos tempos em alguns dos maiores clássicos da literatura universal, num percurso permeado por revelações, mistérios e uma interrogação: em que medida essas mulheres ajudam a encontrar a pedra filosofal da questão feminina? Em que medida elas mostram mais uma vez que a verdadeira filosofia se encontra numa grande pergunta e não em pequenas respostas?



Por que somos insatisfeitos?


Desde que o mundo é mundo, o sujeito persegue aquilo que supõe ter perdido. Ele é habitado pela pulsão (que, por um lado, o move à vida e, por outro, reafirma uma falta). Disso resulta uma inquietude que parece não cessar. Essa inquietude, que tentamos a todo custo conter ou driblar, não é somente um estado fundamental, é também um sinal de vida. No mundo contemporâneo, em que a busca frenética pela completude é potencializada pelos avanços tecnológicos, é possível ficar satisfeito? Quais os fatores estruturais, formulados por Freud e Lacan, que determinam sua condição de insatisfeito? Percorreremos esse tema guiados tanto por textos fundamentais de Freud e Lacan como por fragmentos de Fernando Pessoa retirados do Livro do desassossego, que tão bem iluminam essa condição humana.



Repensando a psicanálise com a filosofia


Para que a psicanálise seja capaz de resgatar a intenção libertária de Freud em tempos pós-modernos, será necessário proceder a novos arranjos conceituais, de modo a permitir ao sujeito contemporâneo a dilatação da capacidade criativa de obter prazer. Somente encontros proveitosos com outros saberes poderão proporcionar a construção de uma ética psicanalítica que afaste o sujeito da submissão às próprias forças psíquicas e, pelo mesmo movimento, dos poderes coercitivos de uma sociedade globalizada espetacular.



Sono, sonhos, aprendizagem e memórias


“O sono está para as novas memórias como a digestão está para a comida.” Essa comparação, feita pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, ilustra a importância do sono no processo de aprendizagem. Quanto melhor a qualidade do sono, melhor a memória e, logo, a capacidade de reter informações. Além de estudar a confluência entre sono e memória, Sidarta Ribeiro fez uma aposta ainda mais original: levou Sigmund Freud ao laboratório para comprovar cientificamente algumas das ideias do pai da psicanálise acerca dos sonhos. Afinal, para que serve sonhar? Qual o papel dos sonhos na consolidação das memórias? E no processo de aprendizagem?

Para responder a essas e outras questões, a CASA DO SABER RIO O GLOBO convidou o próprio Sidarta Ribeiro, o maior especialista no Brasil sobre o tema, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

   



A descoberta do inconsciente


O homem não é mais o senhor de sua própria morada, é o que nos diz Sigmund Freud com a criação da teoria psicanalítica. Depois do heliocentrismo de Copérnico deslocar o homem do centro do universo, e da teoria evolucionista de Darwin colocar em xeque a sacralidade de sua origem, a descoberta do inconsciente abriu uma grande ferida ao questionar a onipotência e prepotência da racionalidade humana. A consciência é somente a ponta de um iceberg cuja profundidade permanece, ainda hoje, desconhecida.

O objetivo do curso é apresentar a descoberta do inconsciente a partir de três eixos: o encontro de Freud com as pacientes histéricas no final do século XIX, quando desenvolveu o método catártico; a inauguração da psicanálise com a experiência do inconsciente e o trabalho com os sonhos; a importância e a potência da noção de desejo.



Repensando a psicanálise com a ciência


A psicanálise pode ser descrita, como desejou Freud, como uma nova ciência? Para desdobrar tal questão crucial, um psicanalista e uma cientista debaterão acerca do ideal de ciência da modernidade em sua relação ao pensamento psicanalítico, bem como sobre o que poderia ser uma ciência que incluísse a psicanálise.



Feminilidades em Freud, Lacan e depois


Foram as mulheres que guiaram Freud na invenção da psicanálise. De início, ele pensava que masculino e feminino eram complementares, como os dedos da mão em uma luva. Mais tarde, constatou que a sexualidade feminina tinha especificidades. Lacan deu destaque à singularidade feminina, apontando o modo próprio de gozo das mulheres e sua inserção na cultura. Algumas dessas ideias têm sido criticadas pelas feministas e teóricas queer contemporâneas. Não seria interessante ouvir o que elas têm a dizer? Esse curso apresenta a psicanálise com relação às feminilidades – traça o percurso dessa investigação nas obras de Freud e Lacan e o confronta com as críticas que feitas na atualidade aos dois pensadores.



A infância no divã


Freud chocou a sociedade do final do século XIX e início do século XX ao criticar a moral pedagógica vigente e propor a noção de uma criança dotada de sexualidade, com fantasias e desejos não “domesticáveis” em oposição radical à criança enquanto ideal social. A partir dessas ideias, Melanie Klein e D.W. Winnicott dedicaram grande parte de seu trabalho ao estudo da infância e desenvolveram estudos essenciais para a psicanálise.

Que particularidades diferenciam uma criança de um adulto? Pode ela ser tratada da mesma forma que uma pessoa madura? Como a psicanálise enxerga e aborda o universo infantil e quais as funções de uma terapia destinada a esse público? Essas e outras questões serão abordadas nesse curso a partir das contribuições dadas por Freud, Klein e Winnicott.



Repensando a psicanálise com a arte


A psicanálise e a arte moderna nasceram juntas, rompendo com a tradição do pensamento da representação do século XVII e propondo, respectivamente, a divisão do eu e uma nova ordenação do espaço perceptual. Tais práticas influenciaram-se mutuamente, tendo como condições a noção de interioridade e a crítica à universalidade da razão. Na busca do tratamento para as patologias psíquicas, Freud deslocou as noções de “belo” e de “sublime” para compreender a estética artística por meio do conceito de sublimação.

Contudo, pode a criação artística ser reduzida à produção inconsciente? Será possível aproximar a arte contemporânea, que se apresenta nas ruas e se apropria de objetos corriqueiros, e a psicanálise, cujo primado são forças amorfas engendradas nos encontros entre sujeitos?



Onipotentes, deprimidos e excitados


Em O mal-estar na cultura, de 1929, Freud usa a expressão “supereu da cultura” para designar a íntima relação que cada um de nós mantém com o momento histórico em que vive. Partindo dessa ideia, o curso analisará as modificações na subjetividade ocorridas desde os tempos do criador da psicanálise até nossos dias.

Ao longo de quatro encontros, serão examinados os efeitos no aparelho psíquico de cada indivíduo da passagem de uma sociedade industrial e da poupança para uma sociedade “pós-industrial” e do crédito.



O ressentimento: mal e superação


Enquanto Descartes considerava os afetos irracionais e incompreensíveis, Spinoza dizia que quando um afeto é compreendido, superam-se sua passionalidade e o seu poder de diminuir a potência do sujeito. Ou seja, a compreensão de um afeto passivo seria, por si só, um afeto ativo. Assim, quanto mais nos compreendemos, mais nos transformamos em nosso modo de nos afetar. Freud apontou que os afetos passivos têm uma coerência própria inconsciente que pode ser revelada.

Foi Nietzsche quem localizou no afeto passivo do ressentimento o cerne de todos os demais afetos ruins, deletérios e degradantes; afetos, antes de tudo, pessoais e relacionais e, por conseguinte, coletivos e sociais. E relacionou o ressentimento à culpa. Por sua vez, Winnicott elucidou a gênese da culpa no desenvolvimento emocional do ser humano, dissociando-a da doutrina cristã. Nesse curso busca-se compreender a gênese do ressentimento com a ajuda das ferramentas teóricas e conceituais de Spinoza, Nietzsche e Winnicott.



Do luto à alegria


Diante das limitações que a vida impõe, sob que formas cada sujeito manifesta seu sofrimento? Como diferenciar, à luz da psicanálise, luto e melancolia, alegria e felicidade? Ao luto, costuma-se atribuir uma negatividade, mas Freud localiza-o como um trabalho fundamental no atravessamento de situações de perda, com consequências clínicas caso não seja elaborado. No artigo “Luto e melancolia”, ele distingue uma perda vivida como luto de outra, que permanece sem elaboração.

O curso abordará as principais diferenças entre essas duas formas de experimentar as perdas, tão fatais quanto inevitáveis. Também tematizará a alegria, que, diferindo-se da felicidade (e mesmo sendo efêmera), constitui uma experiência determinante. Do luto à alegria, um caminho a trilhar. Como indica a poetisa Adélia Prado: “Dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô.”



Uma introdução às formações do inconsciente


A descoberta do inconsciente por Freud revolucionou a visão que o homem tem de si mesmo e transformou as ciências humanas no século XX. A psicanálise demonstra que o estudo da estrutura da linguagem através da fala do sujeito em análise conduz ao inconsciente. Promovido em parceria com a Zahar, esse curso abordará os aspectos essenciais da teoria do inconsciente em Freud, a partir de uma leitura feita por Jacques Lacan. Será investigada a íntima conexão entre o inconsciente e a linguagem, cuja estrutura se manifesta em diferentes formações: sonhos, sintomas, chistes, atos falhos, esquecimentos.

Os inscritos ganharão um exemplar do livro Fundamentos da psicanálise vol.3, de Marco Antonio Coutinho Jorge.

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A psicologia junguiana na atualidade


Por muito tempo colaborador e discípulo de Sigmund Freud, com quem depois rompeu, o psicanalista suíço Carl Gustav Jung propõe uma nova forma de entender a realidade da psique. Seus conceitos de inconsciente coletivo, arquétipos e sincronicidade trazem explicações compatíveis com os saberes do novo paradigma da complexidade.

Esse curso pretende apresentar, a partir de exemplos da clínica e da literatura, os principais conceitos da psicanálise junguiana, atualizando-os e esclarecendo o uso equivocado de suas teorias.



Depressão à luz da psicanálise e da psiquiatria


A humanidade sempre apresentou variadas formas de lidar com a dor. Como diferenciar, à luz da psicanálise e da psiquiatria, a tristeza, a depressão e a dor de existir? A depressão se refere a uma perda fundamental que é, por vezes, tão inevitável quanto necessária. Freud distingue uma perda vivida como luto de outra que permanece sem elaboração (melancolia). A tristeza vivenciada pela ausência de um objeto difere da prostração advinda de uma posição na qual nada é capaz de afetar o sujeito, um “esvaziamento do eu”, um furo cavado por onde a vida escoa.

Como separar o joio do trigo? Veremos o que a psiquiatria tem a dizer sobre a atual profusão de diagnósticos de depressão. A modernidade trouxe este paradoxo: estamos mais conectados, mas claramente mais deprimidos. Essas e outras questões serão abordadas nesse curso.