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Onipotentes, deprimidos e excitados

Em O mal-estar na cultura, de 1929, Freud usa a expressão “supereu da cultura” para designar a íntima relação que cada um de nós mantém com o momento histórico em que vive. Partindo dessa ideia, o curso analisará as modificações na subjetividade ocorridas desde os tempos do criador da psicanálise até nossos dias.

Ao longo de quatro encontros, serão examinados os efeitos no aparelho psíquico de cada indivíduo da passagem de uma sociedade industrial e da poupança para uma sociedade “pós-industrial” e do crédito.



O ressentimento: mal e superação

Enquanto Descartes considerava os afetos irracionais e incompreensíveis, Spinoza dizia que quando um afeto é compreendido, superam-se sua passionalidade e o seu poder de diminuir a potência do sujeito. Ou seja, a compreensão de um afeto passivo seria, por si só, um afeto ativo. Assim, quanto mais nos compreendemos, mais nos transformamos em nosso modo de nos afetar. Freud apontou que os afetos passivos têm uma coerência própria inconsciente que pode ser revelada.

Foi Nietzsche quem localizou no afeto passivo do ressentimento o cerne de todos os demais afetos ruins, deletérios e degradantes; afetos, antes de tudo, pessoais e relacionais e, por conseguinte, coletivos e sociais. E relacionou o ressentimento à culpa. Por sua vez, Winnicott elucidou a gênese da culpa no desenvolvimento emocional do ser humano, dissociando-a da doutrina cristã. Nesse curso busca-se compreender a gênese do ressentimento com a ajuda das ferramentas teóricas e conceituais de Spinoza, Nietzsche e Winnicott.



Do luto à alegria

Diante das limitações que a vida impõe, sob que formas cada sujeito manifesta seu sofrimento? Como diferenciar, à luz da psicanálise, luto e melancolia, alegria e felicidade? Ao luto, costuma-se atribuir uma negatividade, mas Freud localiza-o como um trabalho fundamental no atravessamento de situações de perda, com consequências clínicas caso não seja elaborado. No artigo “Luto e melancolia”, ele distingue uma perda vivida como luto de outra, que permanece sem elaboração.

O curso abordará as principais diferenças entre essas duas formas de experimentar as perdas, tão fatais quanto inevitáveis. Também tematizará a alegria, que, diferindo-se da felicidade (e mesmo sendo efêmera), constitui uma experiência determinante. Do luto à alegria, um caminho a trilhar. Como indica a poetisa Adélia Prado: “Dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô.”