ARTE E NIILISMO: ETERNIDADE FRÁGIL


Marco Antônio Casanova

De 17 de setembro a 08 de outubro - Segundas-feiras - das 19h30 às 21h30 - 4 encontros

A relação entre arte e verdade (arte e filosofia) remonta às origens do pensamento grego e às críticas feitas por Platão aos limites estruturais das artes miméticas. Saber o quanto a arte poderia dizer a verdade acerca dos entes marcou a filosofia, desde Platão. Esse, porém, foi apenas um primeiro passo, logo seguido por muitos outros. Acolhendo os impulsos oriundos do horizonte platônico de consideração da verdade das obras de arte, a relação entre arte e verdade atravessou um largo campo de problematização que caracterizou tanto o período helenista quanto a Idade Média.

Pensar a noção de imitação e a verdade da imitação alimentou um conjunto enorme de esforços da tradição e se transformou em tarefa primordial no interior, por exemplo, da arte sacra. No entanto, foi somente com os desdobramentos do pensamento moderno que tal relação passou a se inscrever no âmbito da questão da ligação entre verdade e história, entre verdade e tempo histórico. Com isso, surgiu aí simultaneamente a possibilidade de pensar a arte segundo dois paradigmas estruturais: ou bem como expressão do tempo, ou bem como o lugar do acontecimento mesmo do tempo.

Acompanhar a passagem de uma a outra será a tarefa primordial desse curso. Não para ficar apenas no plano da reconstrução da relação entre arte, verdade e história, mas para sondar o quanto a arte dá voz à medida do tempo, de qualquer tempo, do nosso tempo.

ÁREA DO ALUNO
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aulas


  • 17 SET | A RELAÇÃO ENTRE ARTE E VERDADE NO PENSAMENTO DE PLATÃO

    Arte como mimese da aparência e do ser; o problema da retórica e a luta socrática contra os sofistas; o poeta como um entusiasmado e como alguém marcado por uma loucura divina; os riscos da dialética; Platão e a essência da tradição.


  • 24 SET | A INSERÇÃO DO PROBLEMA DA HISTÓRIA NA MODERNIDADE

    Kant e Hegel; os desdobramentos do projeto crítico kantiano e do idealismo absoluto de Hegel sobre a hermenêutica e a fenomenologia e as consequências desses desdobramentos para a filosofia da arte: Wilhelm Dilthey e Edmund Husserl e a transformação radical no modo mesmo de descrição da experiência humana propriamente dita; arte e vivência; interpretação e descrição.


  • 01 OUT | O PROBLEMA DO NIILISMO CONTEMPORÂNEO E SUAS REPERCUSSÕES PARA O MUNDO DA ARTE CONTEMPORÂNEA

    Nietzsche e Heidegger em torno do niilismo; a descoberta do instante como campo de reconciliação entre tempo e eternidade.


  • 08 OUT | ARTE COMO LUGAR DA ETERNIDADE NO TEMPO

    A noção de constelação relacional (Nietzsche e Walter Benjamin); a presença da eternidade frágil em um conjunto de obras a serem analisadas por nós, desde os impressionistas até as instalações de nossos dias; a relação entre a arte abstrata e a verdade de nosso tempo: análise de um conjunto de obras do Expressionismo abstrato e da arte concreta. Os três temas centrais do contemporâneo: instante, corpo e paisagem.


ministrado por


  • Marco Antônio Casanova

    Professor do Departamento de Filosofia da Uerj, presidente da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e tradutor. Doutor em Filosofia pela UFRJ/Universidade de Tübingen e pós-doutor pela Universidade de Freiburg (Alemanha). É autor de inúmeros artigos em revistas nacionais e internacionais e dos livros O instante extraordinário: vida, história e valor na obra de Friedrich Nietzsche; Nada a caminho: niilismo, impessoalidade e técnica no pensamento de Martin Heidegger; Compreender Heidegger; Eternidade frágil: ensaio sobre temporalidade na arte; A falta que Marx nos faz, entre outros.