CRIAR OU ENQUADRAR-SE: QUAL O SEU MAIS ALTO SENTIMENTO?

UM ENSAIO COM NIETZSCHE, ESPINOSA, CANGUILHEM E WINNICOTT


André Martins

De 01 a 22 de setembro - Segundas-feiras - das 20h às 22h - 4 encontros

Reprodução

“Meu ensinamento diz: viver de tal modo que tenhas de desejar viver outra vez, é a tarefa – pois assim será em todo o caso! Quem encontra no esforço o mais elevado sentimento, que se esforce; quem encontra no repouso o mais elevado sentimento, que repouse; quem encontra em enquadrar-se, seguir, obedecer, o mais elevado sentimento, que obedeça.” Nesse fragmento escrito no outono de 1881, publicado postumamente, Nietzsche enuncia seu pensamento sobre o eterno retorno de uma maneira particularmente instigante, lembrando Fernando Pessoa: “Sê inteiro em tudo que fazes”. Nietzsche radicaliza o preceito, acrescentando que se esteja inteiro mesmo que seja ao enquadrar-se e obedecer, caso o indivíduo encontre na obediência o seu mais elevado sentido. Nietzsche está afirmando que existe, em alguns casos, uma “natureza” submissa? Há submissos por natureza?

Pode haver saúde na submissão? Questão difícil e paradoxal, sobretudo se formulada por um dos maiores pensadores do ato criativo. Canguilhem relativizava o conceito de saúde, sendo por isso muitas vezes mal interpretado, como se qualquer estado físico ou psíquico pudesse ser tomado como saudável. Winnicott e Espinosa esclarecem que não, embora a relatividade da saúde permaneça, na forma de afirmação da realidade atual e de uma gradação entre a enfermidade e a saúde. Espinosa, por outro lado, propõe a obediência como um bem, mas sob certas condições, podendo ser a desobediência uma libertação. Nesse curso nos propomos a investigar esse paradoxo, com a ajuda da filosofia de Nietzsche, Espinosa e Canguilhem e da teoria psicanalítica de Winnicott.

ÁREA DO ALUNO
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aulas


  • 01 SET | A AUTONOMIA DOS AUTÔNOMOS
    Análise do aforismo póstumo de Nietzsche (e do acréscimo de sua irmã) e o cipó-matador.


  • 08 SET | A OBEDIÊNCIA E A DESOBEDIÊNCIA SEGUNDO ESPINOSA
    A autonomia de cada um e a aceitação da servidão voluntária.


  • 15 SET | CANGUILHEM E WINNICOTT
    Saúde como potência criativa.


  • 22 SET | WINNICOTT E A VIDA CRIATIVA
    Uma questão afetiva, para cada um de nós refletir sobre a própria vida.


ministrado por


  • André Martins

    Filósofo e psicanalista. Professor associado da UFRJ. Líder do Grupo de Pesquisas Spinoza e Nietzsche de Estudos de Filosofia da Imanência. Doutor em Filosofia pela Universidade de Nice, com pós-doutorado sênior pela Universidade de Provence. Professor visitante das universidades de Reims e Amiens. Pesquisador visitante da Universidade de Paris I – Sorbonne. Editor da Revista Trágica: Estudos de Filosofias da Imanência. Autor do livro Pulsão de morte?: por uma clínica psicanalítica da potência e de artigos e capítulos de livro publicados no Brasil, França, Alemanha, Portugal, Bélgica, Hungria e Estados Unidos. Organizador dos livros Spinoza et la psychanalyse, As ilusões do eu: Spinoza e Nietzsche e O mais potente dos afetos: Spinoza e Nietzsche.