É PROIBIDO PROIBIR?


Malvine Zalcberg

De 18 de abril a 02 de maio - Segundas-feiras - das 20h às 22h - 3 encontros

A tão mencionada crise de autoridade – verdadeiro novo sintoma da civilização – apresenta uma relação direta com a crise da função paterna. Esta se instituiu ao longo do século XX, com a mudança de status das mulheres nas sociedades pós-guerras, marcadas por seu ingresso no mercado de trabalho, pela ação dos movimentos feministas e, a partir dos anos 1960, pelo potencial liberador dos anticonceptivos. Nesse momento, a palavra do pai – a qual, por sua função interditora, enquadra e impõe limites ao desejo da criança – perdeu seu poder. A tal ponto que os movimentos político-sociais da época anunciavam claramente a nova era: Il est interdit d’interdire, entoavam os estudantes pelas ruas de Paris em Maio de 1968; É proibido proibir, cantava Caetano Veloso no mesmo ano, no Brasil.

ÁREA DO ALUNO
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aulas


  • 18 ABR | INTRODUÇÃO
    A sociedade patriarcal dominante até meados do século XX, criticada por seus excessos, transmitia uma dimensão de autoridade. Passamos de uma civilização que sofria pelo excesso de renúncia ao prazer a uma civilização que sofre pelo problema contrário: pela falha na transmissão da autoridade, dando origem a sujeitos marcados por um afã de satisfação incessante, sem limites.


  • 25 ABR | OS PAIS E O SUPEREGO
    A diferença entre esses dois momentos se faz sentir pela forma como o superego – instância postulada por Freud como a responsável por transmitir valores – passou a ser veiculado pelos pais, homens e mulheres inseridos no contexto contemporâneo da busca pela felicidade: “Quero que meu filho seja livre e feliz”. Mas pode ele “ser livre e feliz” sem a marca de uma autoridade reguladora de suas pulsões desordenadas?


  • 02 MAI | COMO DIZER NÃO
    Como os pais podem dizer “não” o suficiente para permitir a instauração da lei simbólica que regula e humaniza as pulsões no psiquismo da criança, mas sem perder a proximidade com seus filhos? Como obter o meio-termo – entre o pai que só proíbe (como o Pastor do filme A fita branca, de Michael Haneke, 2010) e a Mãe que só permite (como no filme Mommy, de Xavier Dolan, 2014)?


ministrado por


  • Malvine Zalcberg

    Psicanalista. Doutora em Psicanálise pela PUC-Rio. Autora de A relação mãe e filha, Amor paixão feminina, Qu’est-ce qu’une fille attend de sa mère? e Ce que l'amour fait d'elle.