ENCONTROS DO CINEMA COM A FILOSOFIA

POR UMA CRÍTICA DO OLHAR


Alexandre Costa

De 09 a 30 de maio - Segundas-feiras - das 20h às 22h - 4 encontros

Os filmes selecionados para esse curso têm em comum o uso da lente cinematográfica como recurso para propor uma reeducação do olhar, quase sempre viciado em repetir o próprio ponto de vista. Apresentando ângulos inesperados para o tratamento de questões humanas e classicamente filosóficas, como as ideias de verdade, justiça e finitude, esses filmes levam, necessariamente, à reflexão. Investindo na arte do olhar como possibilidade de cura e de transformação contínua da nossa relação com a existência, formulam uma pedagogia do espanto, perspectiva que orienta e impulsiona a filosofia desde a sua origem.

A CASA DO SABER RIO O GLOBO oferece, das 17h às 19h, gratuitamente, sessões dos filmes nas mesmas datas das aulas.

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aulas


  • 09 MAI | A VERDADE EM CRISE
     

    A REALIDADE É UM FATO OU UM FEITO?
    Filme: Rashomon, de Akira Kurosawa (Japão, 1980)

    Ambientado no século XII, o filme nos faz questionar até que ponto aquilo a que chamamos “realidade” nos é apreensível, colocando também em xeque a ideia de uma verdade a um só tempo unívoca e absoluta.


  • 16 MAI | A CULTURA COMO ARTIFÍCIO INEVITÁVEL
    O QUE SUSTENTA AS IDEIAS DE NATUREZA E ESSÊNCIA?
    Filme: O anjo exterminador, de Luis Buñuel (México, 1962)

    Nesse belo estudo sobre o paradoxo de uma civilização cujo progresso sempre dependeu de violentos mecanismos repressivos, Buñuel apresenta em chave surrealista uma crítica às ideias de essência e natureza, acusando a artificialidade de toda cultura.


  • 23 MAI | OSCILANDO ENTRE O COSMO E O CAOS
    UMA QUESTÃO DE (IN)JUSTIÇA?
    Filme: Crimes e pecados, de Woody Allen (EUA, 1989)

    O filme permite discutir se há mesmo uma justiça, natural ou divina, ou se sua criação é, antes, humana para lidar com a injustiça constitutiva de tudo.


  • 30 MAI | O ELOGIO DA FINITUDE
    O QUE FAZER DA PRÓPRIA MORTALIDADE?
    Filme: Nosferatu, o vampiro da noite, de Werner Herzog (Alemanha, 1979)
    Esse talvez seja o único filme sobre Drácula em que o espectador se apieda mais do vampiro que de suas vítimas: Nosferatu vive a morte ou morre a vida? Em ambos os casos, um suplício perene. Sublinhar essa monstruosa condição provoca, por contraste, o efeito de uma rara e singular valorização da finitude humana, lançando um outro olhar sobre a morte.


ministrado por


  • Alexandre Costa

    Doutor em Filosofia pela Universität Osnabrück (Alemanha) e pela UFRJ. Pós-doutor em Teoria da Música na Antiguidade pela USP e em Filologia Clássica pela USP/Humboldt-Universität zu Berlin. Professor adjunto do Departamento de Filosofia da UFF. Autor de Heráclito: fragmentos contextualizados e A história da filosofia em 40 filmes (coautoria com Patrick Pessoa), entre outros livros.