ESCRITA (RE)CRIATIVA

HISTÓRIA, TEORIA E PRÁTICA DA LITERATURA DE APROPRIAÇÃO


Cristiane Costa, Leonardo Villa-Forte

De 08 a 15 de junho - Segundas-feiras - das 20h às 22h - 2 encontros

Olli Typejunkie

O conceito de remix é simples: combinar ou editar material existente para produzir algo novo. No entanto, essa definição é tão ampla que, dentro da cultura remix, há distinções para procedimentos diferentes: há o mash-up, o sampler, o cut and past, o die-cut, a apropriação e a colagem. Todos eles, porém, têm sua base no ato de selecionar partes de um material para acrescentá-las ou retirá-las tendo em vista uma nova versão final. Na música, no cinema e na pintura, a composição, a montagem e a colagem são procedimentos comuns. Mas, na literatura, a remixagem permanece um tabu. Escritores podem ser vistos como sampling machines ou DJs de palavras? Misto de oficina prática de “escrita (re)criativa” e reflexão sobre a teoria e a prática do remix, o curso problematiza noções do senso comum, como autoria, originalidade e propriedade.

ÁREA DO ALUNO
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aulas


  • 08 JUN | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 
    Em 1961, William Burroughs ouviu do pintor Brion Gysin que “a literatura está 50 anos atrás da pintura”, pois a colagem já era um procedimento de artistas como Picasso. Antes de Burroughs, porém, vários escritores fizeram uso de trechos de obras alheias. Nesse rol podemos encontrar T.S. Eliot e seu The Waste Land e James Joyce e Ulysses, além do brasileiro Mário de Andrade, com Macunaíma. Experiências mais recentes, típicas da era digital, também serão abordadas, como o MixLit, o RemixTheBook e o Remix My Lit, com direito a uma oficina prática de remix.


  • 15 JUN | FUNDAMENTOS TEÓRICOS
    Vivemos na era remix, como definiu Lev Manovich? Enquanto a crítica tradicional não considera a apropriação uma forma válida para criar uma obra literária, alguns teóricos não só se dedicam a estudar o formato, como também o testam, a exemplo do ensaio de David Shields Reality Hunger. Conceitos como uncreative writing, de Kenneth Goldsmith, e unoriginal genius, de Marjorie Perloff, assim como a remixologia de Mark Amerika e a estética do sampling de Eduardo Navas guiam essa discussão.


ministrado por


  • Cristiane Costa

    Formada em Jornalismo pela UFF e doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Professora e coordenadora do Curso de Jornalismo da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ e curadora de projetos especiais da editora Nova Fronteira. Foi uma das criadoras do curso Publishing Management – O Negócio do Livro, na FGV. Foi editora do Caderno Ideias, suplemento literário do Jornal do Brasil; da revista Nossa História; do Portal Literal; e da revista eletrônica Overmundo. É autora do livro Pena de aluguel: escritores jornalistas no Brasil. Desenvolve pesquisa sobre novas estratégias narrativas em mídia digital para o pós-doutorado pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea.

  • Leonardo Villa-Forte

    Escritor. É autor do livro de contos O explicador, da intervenção urbana Paginário e da série de colagens MixLit – O DJ da Literatura. Tem contos publicados em revistas e jornais no Brasil e na Inglaterra. Participou da Festa Literária das Comunidades Pacificadas (FLUPP), do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) e da 3a Bienal da Bahia, entre outros eventos literários.