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A HISTÓRIA DA MENTE ATRAVÉS DOS SONHOS


Uma breve história da mente humana pelo fio condutor do sonho será o tema deste encontro. É curioso que a palavra em alemão para sonho — Traum — se pareça tanto com trauma, que, em grego, com etimologia bem distinta, quer dizer ferida. Memórias são cicatrizes e sua ativação durante o sono — os sonhos — possui causa e significado. Para iluminarmos as funções e as razões do sonho será preciso trilhar o longo caminho que vai da biologia molecular, neurofisiologia e medicina até a psicologia, a antropologia e a literatura, sem perder de vista que a evolução da espécie, em sua fase mais recente, é toda a nossa história.

Uma teoria satisfatória do sono e dos sonhos deve, primeiro, considerar todos os fenômenos relevantes e não apenas parte deles. Em segundo lugar, deve distinguir as várias funções dos diferentes estados de sono e de sonho. Em terceiro, deve produzir uma narrativa plausível de como tais estados favoreceram a aptidão para procriar genes e cultura através do tempo, evoluindo um conjunto de funções cumulativas e superpostas em camadas, que só podem ser compreendidas na ordem cronológica apropriada. Citando Carl Jung (1875-1961), trata-se de compreender em detalhes, em termos de seus mecanismos fundamentais, de que forma o sonho prepara o sonhador para o dia seguinte.



UMA INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA


Como a Antropologia, uma ciência que nasceu do estudo dos povos nativos, pode ajudar a compreender os dias de hoje? Em um contexto de intolerância e de radicalização na vida cotidiana e na política, o conceito de relativização ajuda a nos colocarmos no lugar do outro. Em tempos de dúvidas e incertezas, buscar a compreensão da alteridade pode ser um bom começo. A Antropologia oferece ferramentas que operam como antídotos importantes para as tentações de generalização. Exemplos são a etnografia e a observação participante, os métodos clássicos formulados pelo fundador dessa ciência, polaco Bronislaw Malinowski (1884-1942). Outras foram pensadas pela Escola de Manchester, que ensina a mergulhar na análise de situações sociais, assim como fizeram os britânicos Victor Turner (1920-1983), e Max Gluckman (1911-1975), o brasileiro Roberto DaMatta e o inglês Peter Fry

O objetivo do curso é apresentar os principais pensadores e escolas da Antropologia a todos aqueles que desejam adquirir e transmitir o gosto por essa perspectiva e por tudo aquilo que ela tem a oferecer para a compreensão do mundo de hoje.



OS MUNDOS DE PRIMO LEVI


Em 2019, assinala-se o centenário de nascimento de Primo Levi. Químico de profissão, justificava a escolha da carreira pela convicção de que os fascistas nada podiam fazer contra os elementos químicos e a tabela periódica. Nascido em Turim, em 1919, Primo Levi, durante a Segunda Guerra Mundial, associou-se a um grupo de resistência ligado ao movimento político "Justiça e Liberdade". Foi capturado por tropa italiana, entregue aos alemães e enviado ao campo de extermínio de Auschwitz em fevereiro de 1944.

Sobrevivente da Shoah, Primo Levi retorna a Turim e, poucos anos após, publica sua principal obra – É isto um homem? – em edição discreta e de pequena tiragem. Ao fim dos anos 1950 , o livro viria a ser editado e, a partir daí, até a sua morte, firmando-o como um dos mais importantes pensadores do século passado. Sua obra ultrapassou o registro do testemunho, inscrevendo-se em um programa intelectual que acabou por combinar filosofia moral e política, antropologia, literatura de ficção, ficção científica e inumeráveis textos de intervenção. Como bem diz Domenico Scarpa, em todas essas facetas, a Shoah está presente. O fundo comum de toda a obra é uma investigação a respeito da condição e do sujeito humanos.

Esses dois encontros pretendem apresentar um quadro biográfico-temático da trajetória de Primo Levi e análises específicas de alguns de seus livros; em particular, o primeiro deles – É isto um homem? – e o último – Os afogados e os sobreviventes. O objetivo será o de sugerir a presença em Primo Levi de um pensamento originário, uma forma própria de interpretação da condição humana.



A INVENÇÃO DA ANTROPOLOGIA: IDENTIDADE E DIFERENÇA


A Antropologia é uma disciplina que vem se transformando intensamente nos últimos anos no Brasil e no mundo. Os objetos de análise e os métodos de pesquisa têm se renovado intensamente no campo, de modo a ampliar o escopo da imaginação conceitual antropológica.

Nesse curso pretende-se apresentar alguns temas e problemas principais da disciplina, como a relação entre identidade e diferença, através de sua interface com outras temáticas e áreas do conhecimento: a história e o universo dos museus; as artes; a natureza (e mais recentemente os diagnósticos sobre o aquecimento global e o Antropoceno); o gênero e a sexualidade.

Dois objetivos específicos pautarão os encontros: 1) introduzir conceitos e abordagens pertinentes ao estudo dos fenômenos antropológicos a partir de autores clássicos e contemporâneos das interfaces temáticas sugeridas; e 2) sistematizar e debater os principais objetos e as questões que constituem as subáreas em destaque.



A invenção da Antropologia


Do que trata e a que serve a antropologia? Qual é o contexto do seu surgimento? Quais são as principais escolas, os principais debates e questões postas em pauta pelos antropólogos? Que críticas a disciplina sofreu desde suas origens e quais respostas elaborou? E qual o seu panorama hoje?

Por meio de uma abordagem panorâmica, este curso tem por objetivo introduzir os alunos no campo da antropologia, disciplina que vem se transformando intensamente nos últimos anos no cenário internacional e no Brasil.

Em quatro aulas, pretende-se delinear os principais temas, escolas e problemas em pauta até o presente momento. Dois objetivos pautarão os encontros: primeiro, introduzir conceitos e abordagens pertinentes ao estudo dos fenômenos antropológicos a partir de autores clássicos e contemporâneos da disciplina; e, segundo, sistematizar e debater as principais questões e os grandes dilemas nessa área do conhecimento.



Spinoza e sua obra extraordinária


Contemporâneo de Descartes, Hobbes e Newton, Baruch de Spinoza (1632-1677) escreveu sua obra na aurora da modernidade. Ele concordava com a ciência e a filosofia nascentes que desafiavam os argumentos de autoridades medievais que permitiam pensar apenas a partir das Escrituras Sagradas.

Mas discordava fortemente dos alicerces sobre os quais a nova filosofia se erguia. Tais alicerces eram análogos aos da filosofia medieval e remontavam a Sócrates e Platão, que consideravam: a ontologia que separa o mundo em duas substâncias, uma espiritual, racional ou pensante, outra material e passiva; a antropologia que daí decorre, que toma corpo e mente, ou alma, como duas substâncias; a concepção da vida social atomizada; e, por conseguinte, a existência do Bem e do Mal, o desinteresse e a não afetividade do pensamento; o arbítrio livre de um sujeito imaterial que pode e deve impor suas conclusões supostamente racionais à ação corporal, à teleologia na natureza, à ordem moral do mundo.

Ao criticar a modernidade nascente, Spinoza se revelava um filósofo cujo pensamento era muito à frente de seu tempo. Sua filosofia ilumina questões caras a nosso tempo, postas e evidenciadas pela derrocada do projeto iluminista e civilizatório moderno.

Por ocasião do inédito lançamento da obra completa de Spinoza em língua portuguesa, esse curso apresenta e sistematiza o pensamento desse grande filósofo holandês de família portuguesa, considerado “o príncipe da filosofia”.



Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre


Exaltando a importância do negro, do índio e da miscigenação, Gilberto Freyre inaugurou uma nova maneira de entender a formação do Brasil quando publicou Casa-Grande & Senzala (1933). O autor misturou história, antropologia, sociologia e literatura para desmitificar as teses racistas, então em voga, e reconhecer o valor e a originalidade dos trópicos. Lançando mão de uma linguagem irreverente, quase cômica, e de fontes pouco usuais, como costumes, práticas cotidianas, receitas de doce e diários esquecidos, Freyre redescobriu o Brasil a partir do prisma não apenas de seu colonizador, mas também do colonizado. Nesta aula, o antropólogo Roberto DaMatta apresenta Casa-Grande & Senzala, livro fundamental para entender o Brasil.

   



A dádiva – afetos, identidades e trocas materiais


As trocas de presentes, embora comuns em nosso cotidiano, não costumam ocupar muito espaço em nosso pensamento. Diante da “seriedade” de tantos outros assuntos (a violência, a política, a economia etc.), pensar sobre os presentes que trocamos pode parecer irrelevante. Entretanto, as teorias da dádiva perpassam toda a história da antropologia, desde seus fundadores até hoje. Tanta atenção pode ser explicada pela relação existente entre quem somos e o que damos/recebemos: quando dizemos que “um presente é a sua cara” não estamos falando da forma como vemos o outro, ou seja, de sua identidade?

E quando dizemos “o que vale é a intenção” não estamos nos referindo às emoções que embutimos nos objetos? E mais: será que devemos limitar a dádiva às trocas entre pessoas ou podemos pensar em “alargar” seu raio de alcance, incluindo aí os sistemas de cooperação internacional e as reparações exigidas/demandadas no âmbito político? Esse curso pretende explorar a riqueza das teorias da dádiva para pensar as diversas formas de “troca” que organizam, em sua maior parte de maneira irrefletida, tantos fenômenos do nosso cotidiano.

   



Antropologia das emoções


As emoções costumam ser entendidas, no senso comum das sociedades ocidentais, como fenômenos ao mesmo tempo naturais e universais, individuais e singulares. Colocar em xeque essa dupla representação é o objetivo da antropologia das emoções: mostrar em que medida a dimensão emocional da experiência humana é construída pela sociedade e pela cultura, não se restringindo ao íntimo de cada sujeito e desempenhando funções nos mundos da política e do trabalho.