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TEMPOS DE COMPLEXIDADE CRESCENTE – FILOSOFIA, CIÊNCIA E ARTE


Os últimos 100 anos foram marcados por um desenvolvimento cada vez mais acelerado do saber sobre a natureza, a ciência e o agir sobre a natureza, com o desenvolvimento da tecnologia. Avanços como os ocorridos na Microfísica indeterminista, nas Matemáticas deslineares e na Cosmologia relativista, bem como nas Bio-, Nano- e Nootécnicas, deslocaram os pressupostos clássicos que informavam a cosmovisão moderna.

Diversas noções tradicionais acerca do mundo natural e de nossa posição de sujeito do conhecimento têm sofrido fortes transformações. Não à toa hoje entendemos de modo radicalmente novo tanto os sistemas naturais, seus processos e ritmos, quanto a abrangência e a profundidade alcançadas pela atividade humana, tomada em seu conjunto.

Assim, as novas perspectivas sobre a organização complexa das matérias e a possibilidade de invenção de novas formas nos convidam a reformular o antigo entendimento sobre a posição e as relações entre as potências do Espírito – a Filosofia, a Ciência e a Arte.



QUANDO A GEOMETRIA SE TORNOU FORÇA


Em 1915, Albert Einstein, partindo da consideração de princípios primeiros e sem a orientação de quaisquer evidências ou dados sugestivos, lançou os fundamentos da Teoria da Relatividade Geral (TRG) – que, para o físico Max Born, constituiu “o maior feito do pensamento humano sobre a natureza, a mais impressionante combinação de penetração filosófica, intuição física e habilidade matemática”. De fato, aplicada às observações da astronomia profunda, a TRG permitiu que a ciência do século XX realizasse uma das mais espantosas descobertas sobre o mundo natural: a constatação de que somos parte de uma totalidade histórica, isto é, dinâmica, evolutiva, inacabada. Essa totalidade, identificada ao universo astronômico enquanto expressão mais abrangente do existir natural, tornou-se, assim, o objeto de uma nova disciplina científica: a Cosmologia Relativística. O objetivo desse encontro será o de descrever as ideias que nos permitiram começar a explorar esta entidade singular: tudo-o-que-existe.